Na imagem temos a vista aérea de prédios e jardins em uma cidade

A cidade no plano cartesiano: um estudo aplicado de geometria analítica

Diante da alta vulnerabilidade social e da grave deficiência na aprendizagem de Matemática, no Colégio Estadual Condessa do Rio Novo, o professor Victor Hugo Vassallo procurou melhorar esta realidade, propondo uma abordagem diferente no estudo.

Por Victor Hugo Vassallo em set 04, 2020

Para isso, tem trabalhado com recursos computacionais, aulas de robótica e materiais concretos fornecidos no Laboratório de Aprendizagem, modelo que tem se mostrado eficaz no envolvimento dos alunos. Para concretizar essa proposta, o professor desenvolveu o projeto “A Cidade no Plano Cartesiano: um estudo aplicado de geometria analítica”, cujo desafio foi relacionar os conceitos básicos da matéria, como distância entre dois pontos, alinhamento de três pontos, ponto médio de um segmento, área de triângulo e estudo de retas com imagens, obtidas por meio do Google Maps, de regiões conhecidas da cidade.

Foto de um plano cartesiano elaborado por estudantes. Na imagem vemos um mapa com seis pontos marcados com alfinetes vermelhos. Sobre o papel há uma lapiseira.
Foto de um plano cartesiano elaborado por estudantes. Na imagem vemos um mapa com seis pontos marcados com alfinetes vermelhos. Sobre o papel há uma lapiseira.

Estudo aplicado de geometria analítica, plano cartesiano feito por estudantes em placas de EVA, utilizando imagem Google Maps, régua e alfinetes coloridos.

Na execução do projeto, os alunos trabalharam em duplas, cada uma com um plano cartesiano feito em placas de EVA, utilizando régua, alfinetes coloridos e linhas para marcar os pontos. Como não há laboratório de informática na escola, o professor disponibilizou um computador, na própria sala de aula, ligado a um projetor, com o programa Geogebra, para que os alunos pudessem a qualquer momento conferir suas atividades e replicar os resultados em um ambiente computacional. Na primeira etapa, foi desenvolvido o embasamento teórico, aplicando definições fundamentais. Na segunda, empregaram o conceito do plano cartesiano sobreposto à imagem de uma região da cidade, obtida pelo Google Maps. Na terceira, o desafio foi encontrar a área aproximada de uma famosa praça da cidade, reproduzindo e aprofundando as atividades da etapa anterior. Com a ajuda do professor, os alunos perceberam que poderiam dividir a área em triângulos menores, e depois calcular e somar as áreas destes para assim obterem a área total do espaço pesquisado.

“O envolvimento que houve por parte dos estudantes foi o que de melhor pudemos destacar. O trabalho colaborativo entre as duplas foi importante para que alunos com mais dificuldade pudessem arriscar mais. Com todas essas experiências, verificamos que os conceitos matemáticos foram consolidados em uma experiencia única na vida destes alunos”, relatou o professor Victor Hugo.

Depoimento do professor Victor Hugo Vassallo sobre a participação no Prêmio Shell de Educação Científica

Em 2018, eu havia participado do Prêmio Shell de Educação Científica como finalista, e já naquele momento, nossa escola ganhou muita notoriedade; depois disso, muitos veículos de comunicação divulgaram nosso trabalho.

Em 2019, a expectativa de toda a comunidade escolar e das famílias era muito grande, visto que novamente tínhamos a oportunidade de não só concorrer ao Prêmio Shell como também ter a ratificação de que o trabalho estava no rumo certo.

Hoje, profissionalmente, vejo a importância de ter participado. Há reconhecimento da Secretaria Estadual de Educação, dos colegas de trabalho, dos alunos da instituição e também de todo o município de Três Rios.

Embora o trabalho que venho realizando há 15 anos nesta mesma escola sempre tenha tido como foco o aprendizado dos estudantes, o prêmio abriu meus olhos para que esta importância fosse ainda maior. Analisando todo o projeto desenvolvido, além das questões técnicas e específicas da minha disciplina (Matemática), foi muito importante ter um olhar amplo para conseguir, de alguma forma, associar a Matemática às questões sociais dos meus alunos, resultando na possibilidade de oferecer um aprendizado diferenciado e, sobretudo, conferindo sentido ao que estava sendo ensinado.

Desde a preparação para a viagem – transfer, hospedagem, programação –, foi tudo meticulosamente pensado pela Shell e pelo Conselho Britânico. Detalhistas, nos deram a oportunidade de não só conhecer lugares incríveis, e outros que sequer imaginaríamos pisar, como os laboratórios visitados.

A visita à Lampton School, para mim, foi a mais impactante. A oportunidade de conhecer um pouco do sistema educacional britânico, participar de conversas com líderes de algumas disciplinas, conhecer a dinâmica de uma aula bem como a postura dos estudantes, fez-nos repensar nossas práticas de ensino. Com isso, também pude reconhecer que a metodologia STEM já se fazia presente em minhas aulas, entretanto, eu a desconhecia. Isso me possibilitou, agora, ter uma base para realizar pesquisas e buscar informações sobre o assunto. Além disso, os museus e centros de pesquisa compartilharam atividades que podem ser desenvolvidas aqui no Brasil, mostrando-nos horizontes que, mesmo sem muitos recursos, podem ser aplicados em nossa escola.

Mini-bio do Autor

Victor Hugo Vassallo, foi 1º colocado do Prêmio Shell de Educação Científica 2019, na categoria Ensino Médio – Rio de Janeiro. O trabalho foi desenvolvido no Colégio Estadual Condessa do Rio Novo, município de Três Rios (RJ).

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