Imagem de uma balança de dois pratos dourada, com fundo azul.

Brincando com balanças e equações

Para explicar de modo prático os fundamentos de uma equação e sua aplicabilidade no dia a dia, o professor Alexandro Paes Peixoto desenvolveu a seguinte sequência didática:

Por Alexandro Paes Peixoto em set 09, 2020

Foram construídos uma balança e sólidos geométricos, reutilizando materiais descartados e outros recursos simples. A balança e seus respectivos “pesos” foram apresentados aos alunos, e, neste primeiro momento da aula, foi discutido com eles que “existem recursos à nossa disposição e que é possível realizar trabalhos interessantes gastando pouco”, conta ele.

Imagem de uma balança com uma réplica da Torre Eiffel do lado esquerdo e elementos geométricos coloridos do lado direito. Ao fundo, vemos um professor observando o estudante elaborando um cálculo no quadro negro.
Professor observa aluno elaborando uma equação que representa equilíbrio da balança.
  1. Ao observar a balança vazia, os alunos perceberam que ela se encontrava em equilíbrio, ou seja, não pendia para nenhum dos lados, um fenômeno que se chama “equilíbrio estático”.
  2. Um objeto cúbico foi colocado em um dos pratos da balança causando um desequilíbrio. Os alunos perceberam que existe um “peso” que desequilibra a balança. Foi abordada a diferença entre “massa” e “peso”.
  3. Um peso idêntico foi posto no outro prato da balança equilibrando-a novamente. Eles compreenderam que os objetos possuíam massas congruentes. Ambos os objetos foram retirados, e a balança permaneceu em repouso.
  4. Foram apoiados um cubo em um dos pratos e um cone no outro: a balança desequilibrou. Discutiu-se aqui que a mesma letra “X” pode representar valores diferentes em situações distintas.
  5. Dois cones idênticos foram colocados em um dos pratos da balança e, no outro, um cone e um prisma, este de valor conhecido. O conceito de equação foi explicado como sendo um equilíbrio entre os dois “pratos da balança”: na equação, cada lado da balança se chama membro e o valor desconhecido se chama incógnita. Um cone de cada lado da balança foi retirado, e ela continuou em equilíbrio. Em seguida, a equação foi realizada matematicamente.
  6. A balança foi organizada com três cilindros iguais em um dos pratos e um cubo no outro. Intuitivamente, os alunos chegaram à conclusão de que a massa do cubo deveria ser dividida igualmente em três partes iguais. A equação foi montada matematicamente dividindo ambos os lados por três.
  7. Foi feita nova montagem, e assim os alunos entenderam a resolução da equação.

Deste passo em diante, os alunos fizeram suas próprias montagens, equilibrando os lados da balança, e apresentaram suas respectivas soluções.

Esse trabalho mostrou-se totalmente funcional, de fácil aplicabilidade, e permitiu a abordagem de conceitos de física, meio ambiente, raciocínio lógico, geometria espacial, entre outros, em uma aula rica em conteúdos e ao mesmo tempo divertida e agradável para o aluno.

Depoimento do professor Alexandro Paes Peixoto sobre a participação no Prêmio Shell de Educação Científica

Sinto-me honrado por ter participado desse projeto que valoriza o trabalho dos professores de forma objetiva e profissional. O Prêmio Shell de Educação Científica representa para mim o reconhecimento de um trabalho árduo, contínuo e pulsante em busca da educação de qualidade, não importando quão frágil seja a realidade socioeconômica onde atuo.

Sempre desenvolvi projetos com muito entusiasmo e satisfação. Em termos práticos, não encontrei dificuldades com o projeto em si, mas com a gestão do tempo, na minha opinião o grande desafio que os professores enfrentam hoje para realizar projetos inovadores. Vários professores têm ótimos “insights”, que não saem do papel, uma vez que muitos trabalham em outras escolas para melhorar seus ganhos financeiros.

Um bom projeto é o que causa impacto social e busca a otimização de recursos. Em qualquer ferro-velho, encontramos recursos suficientes para fazer a diferença em qualquer área do conhecimento, sobretudo na área de ciências. O Brasil joga no lixo muita riqueza de materiais, há um grande desperdício, com o mau uso dos recursos materiais.

Se o professor tiver um olhar sensível ao seu entorno, poderá encontrar soluções e superar as barreiras, e, assim, fazer o melhor para seus alunos com aquilo que está ao seu alcance. Isso é ser professor!

Mini-bio do Autor

Professor Alexandro Paes Peixoto, foi 1º colocado do Prêmio Shell de Educação Científica 2018, na categoria Ensino Fundamental II – Rio de Janeiro. O trabalho foi desenvolvido na CIEP 351 Ministro Salgado Filho, município de Nova Iguaçu (RJ).

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