Caderno com anotações em lápis.

O jogo africano mancala e o ensino de matemática

Após conhecer a Lei 10.639/03, que trata da obrigatoriedade do ensino de História e cultura afro-brasileira no âmbito de todo o currículo escolar dos estabelecimentos oficiais e particulares da Educação Básica, o professor Rinaldo Pereira buscou maneiras de tratar a temática no seu campo de atuação, a Matemática.

Por Professor Rinaldo Pevidor Pereira em set 04, 2020

Buscando melhorar seu relacionamento com os alunos e sua prática pedagógica, passou a realizar aulas mais dinâmicas, que pudessem contribuir para aumentar a autoestima dos alunos em relação à matéria e à cultura afro-brasileira.

A partir disso, o professor desenvolveu o projeto “O jogo africano Mancala e o ensino de Matemática em face da Lei 10.639/03”. Com esse jogo, ele fez com os alunos uma imersão na cultura africana, inicialmente, pesquisando dados sobre a árvore baobá, que fornece as sementes utilizadas no jogo, além dos aspectos culturais e filosóficos. A busca por aulas mais dinâmicas concretizou-se, tornando-as mais divertidas e, consequentemente, melhorando o relacionamento entre o professor e os alunos. Além disso, a investigação sobre a temática transformou as atitudes e olhar do professor: “Digamos que eu estava com os olhos cobertos pelo preconceito, assim não combatia com medidas socioeducativas os conflitos sociais contra o aluno negro e sua cultura no cotidiano escolar”, declarou o professor.

Visto que não havia tabuleiros e peças disponíveis, os alunos utilizaram caixas de ovos como tabuleiro e feijões como peças para jogar. A prática fez com que eles desenvolvessem, de forma espontânea, a leitura das peças e assim estimassem situações de ataque e defesa, além de calcular probabilidade (mesmo sem saber o conceito). A partir do jogo, o professor trabalhou operações aritméticas; estimativas; raciocínio lógico; probabilidade e estatística; porcentagem e resolução de problemas.

A construção de conhecimentos sobre História e cultura afro-brasileira contribuiu para elevar a autoestima do aluno em relação ao ser negro, realidade da maioria das turmas. Além disso, os alunos expressaram sentimentos de pertencimento e autoafirmação com relação à cultura afro-brasileira, colaborando com a diminuição de falas preconceituosas e pejorativas.

Depoimento do professor Rinaldo Pevidor Pereira sobre a participação no Prêmio Shell de Educação Científica

O Prêmio Shell de Educação Científica trouxe reconhecimento a um trabalho feito em sala de aula, o que teve como consequência uma produção acadêmica. Além disso, a valorização não é apenas do meu trabalho, não impacta apenas a minha vida, mas, também, a de outros colegas. De fato, é muito bom ser reconhecido, pois o ser humano tende a produzir mais, e é isso o que a Shell Brasil tem feito: valorizado a produção científica de professores de escolas públicas do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O maior benefício que obtive ao participar do PSEC foi sistematizar, rever, refletir, atualizar e compartilhar minhas práticas pedagógicas. Isto é, automaticamente, durante o processo de escrita do projeto, revemos todo o seu processo de elaboração. Também, ver meu trabalho sendo reconhecido e valorizado durante a cerimônia de premiação, que foi perfeita, foi um momento único. Não menos importante, o prêmio financeiro me ajudou a realizar um sonho de consumo pessoal.

A viagem a Londres foi incrível, superando minhas expectativas. Além de ter sido uma oportunidade inédita para conhecer e aprender sobre a cultura local, a experiência educativa foi muito produtiva. Conhecer museus, o Imperial College, o Planetário, a proposta STEM Education, a estrutura da escola de educação básica britânica, bem como saber o quanto a Shell tem apoiado os projetos educacionais, principalmente no Brasil, foi relevante para a minha atualização profissional.

Mini-bio do Autor

Professor Rinaldo Pevidor Pereira, foi 1º colocado do Prêmio Shell de Educação Científica, 2019, na categoria Ensino Fundamental II – Espírito Santo. O trabalho foi desenvolvido EMEF Heloisa Abreu Júdice de Mattos, município de Vitória (ES).

Mais em Artigos e Matérias

Professores são inventores

Os professores sabem que aprendemos quando criamos e refletimos sobre nossas criações. Compartilhar esse momento do nascimento do conhecimento traz a cumplicidade, que deve ser própria das relações na escola.

STEM: educar por projetos

Na educação básica, a matemática está autonomamente contemplada, e tecnologias acompanham as ciências. Mas, para completar STEM, falta a “engenharia”.

Letramento científico e as competências socioemocionais

Preparar as novas gerações para o futuro requer uma educação que seja capaz de desenvolver competências cognitivas e competências socioemocionais, ou, em outras palavras, uma educação integral.