Imagem de solo marrom escuro com pequenas plantas verdes brotando.

Plantas que fazem bem! Ou não?

O uso de plantas medicinais é difundido nacionalmente, e isso não seria diferente em Itarana. Porém, como todas as formas de automedicação, o uso de plantas medicinais pode representar um risco para a saúde humana.

Por Lussandra Marquez Meneghel em set 09, 2020

Atrelando a educação científica, conteúdos programáticos de ciências e problemas da comunidade, a professora Lussandra Marquez Meneghel organizou o projeto Plantas que fazem bem! Ou não?, uma pesquisa científica sobre a utilização de plantas medicinais nas comunidades onde residem os estudantes.

Durante a aula de ciências, foram formuladas perguntas para estabelecer junto aos usuários a forma de utilização das plantas medicinais, o conhecimento sobre os métodos de preparação, a proporção e a forma de utilização das plantas, a frequência de utilização, se houve melhorias no problema de saúde e quem os ensinou a respeito das plantas. Os alunos realizaram a entrevista com familiares ou vizinhos, e tabularam os dados na forma de gráficos.

Imagem de um portão com diversas plantas organizadas. Na foto, vemos dois avisos, acima um com o fundo rosa escrito “plantas que fazem bem!” e o outro pede “favor não mexer!”.
Portão da EEEFM Prof Aleyde Costa, município de Itarana (ES), com diversas espécies de plantas medicinais.

A partir da leitura de um texto, foram discutidas a importância do desenho em botânica e ainda a importância dos herbários; foram estudadas também as partes e as respectivas funções das plantas. Os alunos selecionaram as plantas medicinais citadas nas pesquisas e investigaram a correta utilização das mesmas no Laboratório de Informática. Eles produziram, em casa, mudas das plantas medicinais pesquisadas.

Construiu-se nas dependências da escola um jardim vertical das mudas produzidas. Cada aluno realizou seu trabalho individualmente, mas todos os trabalhos foram discutidos em grupos, e no compartilhamento de informações havia sempre a ajuda de todos. Foi feito o registro das informações com introdução, desenvolvimento, resultados, análise e discussão e demais etapas da pesquisa. Esta foi a etapa onde os alunos apresentaram maior dificuldade.

Realizou-se uma apresentação para os alunos da escola dos conhecimentos científicos e das curiosidades pesquisadas; foi oferecido para os visitantes chás com efeito calmante (erva-cidreira) e mudas com a forma correta de utilização. Para cada pessoa entrevistada foi entregue a forma correta de utilização da planta.

O projeto resgata nos alunos o interesse no saber popular, e mostra como o conhecimento é construído com base na educação científica.

Depoimento da professora Lussandra Marquez Meneghel sobre a participação no Prêmio Shell de Educação Científica

O Prêmio Shell de Educação Científica deu visibilidade, notoriedade e credibilidade a uns dos trabalhos que desenvolvo na escola, e assim valorizou muito o “ser professora” em minha cidade. O título de vencedora do Prêmio Shell de Educação Científica deixou-me certificada do meu papel de educadora e pesquisadora responsável em fazer a diferença no aprendizado dos meus alunos e de minha comunidade.

Viajar para a Europa foi realmente uma imersão científica, fiquei encantada com cada lugar, cada visita, cada nova experiência... Nunca imaginei ir para a Europa acompanhada pelo Bristish Concil, como ganhadora de um prêmio na área de educação. Vivenciar outras metodologias, outras culturas, foi grandioso. Conhecer outros professores que estão inseridos num contexto diferente do meu, além da troca de experiências, nos aproxima da vivência educacional voltada para o aluno, independente da localização geográfica.

Observar alunos neste início de ano, principalmente alunas planejando e sonhando tornarem-se pesquisadoras na área de ciências e já traçando metas e ações, fez-me enxergar mais uma vez minha responsabilidade docente em ciências.

O Prêmio Shell de Educação Científica significou renovação, valorização, conhecimento e vontade de melhorar, entre outros aspectos.

Fazer acreditar que um trabalho científico pode ser realizado em uma escola do interior com estudantes do ensino fundamental, e incluir a grande maioria na realização de todas as etapas de um trabalho, conquistando a equidade na sala de aula, foi um grande desafio. Conseguir a empatia da turma, pensar em um trabalho exequível, fazer com que cada aluno torne-se essencial para a conclusão do trabalho, ser teimoso ao acreditar que dá certo faz com ele se concretize da melhor forma possível.

Mini-bio do Autor

Professora Lussandra Marquez Meneghel, foi 1º colocada do Prêmio Shell de Educação Científica 2018, na categoria Ensino Fundamental II - Espírito Santo. O trabalho foi desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Prof Aleyde Costa, município de Itarana (ES).

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